Cinco coisas sobre os dentes que quase ninguém sabe

Toda profissão tem aquelas informações que são banais para quem está dentro e surpreendentes para quem está fora. Separei cinco.
1. Seus dentes começaram antes de você nascer
Os germes dentários — as estruturas que dão origem aos dentes — começam a se formar ainda na vida intrauterina, semanas depois do início da gestação. Quando o bebê nasce sem nenhum dente à vista, os dentes já estão lá dentro, prontos, esperando a hora.
É também por isso que a saúde da gestante tem relação com a formação dentária do bebê.
2. Nem todo mundo tem 32 dentes
O número que a gente aprende na escola conta os quatro sisos. Só que uma parcela grande da população simplesmente não desenvolve um ou mais deles — é uma variação normal, chamada agenesia. Tem gente com 32, tem gente com 28, e as duas situações são comuns.
O siso, aliás, é um bom exemplo de estrutura que ficou mais folgada na história do que a mandíbula: a boca humana foi encolhendo mais rápido que a quantidade de dentes.
3. A arcada dentária identifica uma pessoa
A odontologia legal usa registros dentários para identificação, e por um motivo prático: o conjunto de dentes de cada pessoa — formato, posição, restaurações feitas ao longo da vida — forma uma combinação muito particular. E o esmalte é o tecido mais resistente do corpo, o que faz dele um dos últimos a se perder.
4. Esmalte não se regenera — mas cárie inicial pode parar
Já falei do esmalte que não volta. O que confunde é que a mancha branca inicial, aquela lesão bem no comecinho, pode ser estabilizada. Ali ainda não há buraco: há mineral perdido de uma estrutura que continua de pé. Com mudança de hábito e acompanhamento, esse processo trava.
Depois que vira cavidade, não tem volta — é restauração. Daí a insistência com a consulta de rotina: a janela em que ainda dá para reverter é curta e silenciosa.
5. O dente doer não é o primeiro sinal — é um dos últimos
Este é o mais importante da lista. Cárie não dói no começo. O esmalte não tem terminação nervosa; a dor aparece quando o processo já chegou perto da polpa, lá no miolo do dente.
Quando dói, quase nunca é cedo. É por isso que a consulta de rotina existe mesmo quando não está doendo nada.
Se faz tempo que você não passa por uma avaliação, é um bom momento. Não pelo susto — pelo contrário: porque o que se acha cedo costuma ser simples de resolver.