Implante dentário dói?

Essa provavelmente está entre as primeiras perguntas de quem descobre que precisa colocar um implante.
E faz sentido.
A palavra “cirurgia”, somada à ideia de colocar um implante no osso, pode fazer o procedimento parecer muito mais assustador do que ele realmente é.
Então vamos separar uma coisa da outra:
uma coisa é o que acontece durante a cirurgia. Outra é o que você pode sentir durante a recuperação.
Durante a colocação do implante
A cirurgia é realizada sob anestesia local.
Isso significa que o objetivo da anestesia é impedir que o paciente sinta dor durante o procedimento.
Você pode perceber pressão, movimentação ou vibração, mas isso é diferente de sentir dor.
E existe algo que considero ainda mais importante: você precisa se sentir seguro durante o atendimento.
Por isso, explicar o que será feito antes de começar faz parte do tratamento.
Mas o que é colocado no osso?
O implante dentário é uma estrutura, geralmente de titânio, posicionada no osso para substituir a função da raiz de um dente perdido.
Depois da instalação, ocorre um período de cicatrização no qual o organismo estabelece uma relação entre o implante e o tecido ósseo.
Posteriormente, dependendo do planejamento, é confeccionada a parte protética — o dente que ficará sobre aquele implante.
E depois que a anestesia passa?
Aqui precisamos ser realistas.
Implante é um procedimento cirúrgico.
Por isso, algum grau de desconforto, sensibilidade ou inchaço pode ocorrer nos primeiros dias.
A intensidade varia bastante.
Uma cirurgia simples para instalação de um implante pode ter um pós-operatório diferente de uma cirurgia que envolva múltiplos implantes, enxerto ósseo ou levantamento de seio maxilar.
Por isso, não existe uma experiência pós-operatória idêntica para todos.
Planejamento também influencia a experiência
Antes de colocar um implante, avaliamos muito mais do que o espaço onde falta um dente.
Podemos analisar:
- quantidade e qualidade óssea;
- anatomia da região;
- gengiva;
- posição dos dentes vizinhos;
- estruturas anatômicas importantes;
- condições de saúde;
- e como será a futura prótese.
Em muitos casos, exames de imagem como a tomografia computadorizada fazem parte desse planejamento.
Quanto mais informações temos antes da cirurgia, mais precisamente conseguimos planejar o procedimento.
“Vou sair do consultório com o dente?”
Depende.
Em alguns casos é possível utilizar protocolos de carga imediata ou instalar uma prótese provisória.
Em outros, é necessário aguardar o período de cicatrização antes da etapa protética.
E aqui existe um ponto importante:
fazer tudo mais rápido nem sempre significa fazer melhor.
A escolha depende das condições clínicas de cada paciente.
E se eu precisar de enxerto?
Também não significa necessariamente que haverá uma recuperação difícil.
Existem diferentes tipos e extensões de enxertos.
Alguns podem ser realizados junto com a instalação do implante. Outros exigem uma etapa anterior.
Da mesma maneira, em regiões posteriores da maxila onde existe pouca altura óssea devido à proximidade do seio maxilar, pode ser necessário realizar um levantamento de seio.
Tudo depende da anatomia encontrada nos exames.
Então preciso ter medo do implante?
Medo é uma reação muito pessoal.
Mas informação costuma tornar o processo muito menos assustador.
Quando você entende:
o que será feito,
por que será feito,
quanto tempo leva,
como será a recuperação
e quais são as alternativas,
a cirurgia deixa de ser algo desconhecido.
E isso muda bastante a experiência.
O implante começa muito antes da cirurgia
Uma das coisas mais importantes que explico é que Implantodontia não é simplesmente “colocar um parafuso”.
Existe diagnóstico, planejamento cirúrgico, cicatrização e planejamento protético.
No final, o que queremos não é apenas um implante integrado ao osso.
Queremos devolver função, conforto e um sorriso que faça sentido para aquela pessoa.
Está pensando em colocar um implante?
O primeiro passo não precisa ser a cirurgia.
O primeiro passo é uma avaliação.
A partir do exame clínico e dos exames de imagem necessários, é possível entender quais opções existem para o seu caso e conversar sobre cada etapa antes de decidir pelo tratamento.
Dra. Bruna Kaye | Cirurgiã-Dentista
CRO-SP 166254
Atendimento em Mogi das Cruzes e Bertioga.
Referências científicas
Melini M, et al. Analgesics for Dental Implants: A Systematic Review. Frontiers in Pharmacology.
Lyu M, et al. Maxillary sinus floor augmentation: a review of current evidence on anatomical factors and a decision tree. International Journal of Oral Science.
Conteúdo informativo. A indicação, técnica cirúrgica e recuperação variam conforme as condições individuais de cada paciente.